Câmara Municipal de Belo Horizonte - Cerimônia inaugural pela criação do Dia em Memória às vítimas da Inquisição - Lei Munic. 10.805/15 Hoje é um dia muito especial para mim, para o Museu da História da Inquisição, creio para a Comunidade Judaica também, para toda a sociedade Belo Horizontina, pois foi criado um dia, o 31 de março (1821, data em que foi abolida aqui no Brasil), o Dia em Memória às vítimas da Inquisição.
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou o projeto 879/13 que institui em Belo Horizonte o Dia em memória às vítimas da Inquisição no Brasil", a ser celebrado anualmente, no dia 31 de março.
Este foi um grande pleito da Abradjin e do Museu da Inquisição junto à Câmara Municipal. Nossos sinceros agradecimentos ao Vereador Juliano Lopes.
A descoberta oficial do Brasil fazia parte do cronograma: Colonização e plantio de cana-de-açúcar pelos cristãos-novos... A partilha do mundo nos meados do século XV, pela poderosa Igreja, emitindo bula papal, criou um impasse entre a Espanha e Portugal, segundo documentos da Torre do Tombo em Lisboa. A arbitragem papal emitiu várias bulas em que os portugueses se consideraram prejudicados, acirrando ainda mais a rivalidade luso-espanhola, que quase levou a um confronto armado.
Discurso pelo Recebimento da Homenagem (diploma de honra ao mérito) da Câmara Municipal de BH pelo Primeiro Museu da História da Inquisição acontecido no último dia 21 de setembro de 2012.
(Marcelo Miranda Guimarães – Diretor-Presidente e Fundador)
Gostaria inicialmente de agradecer de coração ao querido amigo e irmão Vereador Divino Pereira de quem partiu esta iniciativa de homenagear com o Diploma de Honra ao Mérito ao Primeiro Museu da História da Inquisição no Brasil. O vereador Divino Pereira é da nossa região da Pampulha e tem trabalhado efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que nessa região residem e em toda a BH.
O ponto de partida para compreensão de toda a história do povo judeu, incluindo os marranos e os denominados cristãos-novos deve ser a própria Bíblia. Com ela nós poderemos compreender em detalhes a origem e a missão do povo judeu e a conseqüente perseguição. Não é propósito aqui discorrer sobre gênese do universo e do ser humano, tentarei abordar este assunto de uma forma bem imparcial, sem levantar nenhuma questão doutrinária ou sectária. Mas, a bíblia relata claramente que Deus criou os céus, os mares, a terra e tudo o que nela existe.
O povo brasileiro é fruto e fonte criadora de pluralidade cultural. A presença de outros povos em território nacional ajudou a moldar algumas de nossas principais características culturais, desde o desembarque de Cabral na terra que viria a ser o Brasil.
No mundo de hoje ouvimos muitas notícias e ficamos chocados com os eventos terríveis que acontecem ao nosso redor, mas na verdade existem outras injustiças sociais e religiosas que perduram por séculos e que raramente tomamos conhecimento. Uma dessas injustiças presentes ainda hoje teve início no sec.XV com a Inquisição Ibérica que deixou uma profunda mancha na história das religiões e da humanidade. Em Portugal ainda existem Judeus que vivem uma vida dupla: Cristãos á céu aberto e Judeus em secreto. Muitos desses desejam reivindicar sua identidade judaica nas sem o intuito de se converterem ao judaísmo ortodoxo, uma vez que eles já são judeus pela linhagem sanguínea e por escolha (ainda que em secreto) de estilo de vida.
Nossa conferência sobre os B´nei Anussim/marranismo em Castelo de Vide foi um sucesso. Os próprios preletores de Portugal disseram que foi o evento com maior número de participantes já acontecido em Portugal sobre o tema Anussim. Tivemos a participação de professores e doutores em história, tanto das universidades portuguesas como brasileiras. Nossa conferência aconteceu em dois grandes blocos: – os doutores em História da Inquisição deram à conferência aquele ressuscitar do passado judaico na nação portuguesa e também brasileira. Num segundo bloco, nós, além de mostrar algumas cenas de tortura da inquisição luso-brasileira, abordamos corajosamente os aspectos bíblicos e proféticos da restauração dos marranos.
Visitar o circuito das cidades judaicas de Portugal é aprender com o passado, meditar e agir no presente e desejar ver cumprido o futuro dos fatos bíblicos. Joseph Shulam, Victor Escronard de Israel, Marcelo Guimarães do Brasil, Abílio Videira e João Azevedo de Portugal integraram a comitiva que esteve visitando as cidades históricas e judaicas de Portugal. A jornada se iniciou em Lisboa, começando por uma oração profética de arrependimento na Praça do Rossio, onde milhares de judeus luso-brasileiros foram ali julgados, condenados e executados pela Corte do Santo Ofício da Inquisição. A história nos mostra que mais de 80 mil judeus já viviam livremente em Portugal quando outros 120 mil judeus espanhóis cruzaram as fronteiras a partir de 1492 em decorrência de sua expulsão daquele país pelo decreto dos Reis Católicos de Espanha, endossado pela Bula do Papa Xisto IV, “Exigit sincerae devotionis Affectus...”.
Recentemente o Papa João Paulo II voltou a fazer suas considerações ao reconhecer os erros do passado em relação à intolerância religiosa, por ocasião da publicação de um livro de autoria de Agostino Barromeu, professor da Universidade Católica de Sapienza-Itália.
O trabalho deste autor se resume em mostrar que durante o tempo da Inquisição, que em alguns países como Portugal e Brasil chegaram a vigorar por 3,5 séculos, a Igreja Católica não foi tão carrasca e não matou tanto como ensinam todos os livros de história, pois apenas menos de 1,8% dos réus julgados foram mortos em suas fogueiras (Revista Isto É/1811 de 23/06/04). O Papa já havia pedido perdão pelos erros da Inquisição Católica no ano de 2000. Antes, porém, já havia também pedido perdão aos judeus, por ter o Vaticano se calado no período do Holocausto que ocorreu na 2a. Guerra Mundial.
