A humanidade aprendeu com o Holocausto?

Em 1925, Adolf Hitler escreveu o livro Mein Kampf (minha luta) detalhando as idéias racistas e antissemitas da ideologia nazista. Mas, naquela época, poucos se preocuparam com esta publicação pois tratava-se apenas de um ex cabo do exército, preso por ter tentado um fracassado golpe contra o governo da Baviera, com pouco mais de 20 integrantes do então chamado partido nacional socialista.

Após alguns anos, o partido nazista cresce lastreado na depressão econômica e social pós Primeira Guerra, passa a governar a Alemanha e o ditador Hitler coloca em prática as suas idéias racistas e expansionistas, tal e qual publicadas em seu abominável livro, resultando na Segunda Guerra Mundial com 70 milhões de mortos, sendo 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto, a única indústria de extermínio da história da Humanidade.

Nas câmaras de gás e crematórios do campo de extermínio de Auschwitz eram assassinadas seis mil pessoas por dia. E esse era um entre dezenas de campos similares construídos pelos nazistas na Europa ocupada. Famílias inteiras, crianças (1,5 milhão de vitimas do Holocausto foram crianças), mães, pais, avós, totalmente indefesos, sendo humilhados, torturados e friamente assassinados.

O crime dos nazistas contra os judeus em sua maioria, mas também contra negros, comunistas, ciganos, homossexuais, deficientes físicos ou mentais, revolucionários, entre outros, foi uma barbárie que tornou o Holocausto no maior crime já cometido contra a humanidade.

A partir destes acontecimentos, que marcaram profundamente a primeira metade do século passado, seria razoável imaginar que a humanidade, através de seus líderes e organismos diplomáticos internacionais, teria aprendido com essa lição da história e conquistaria finalmente um modelo de convivência entre os povos baseado na paz, liberdade, justiça e fraternidade.

Porém, o que assistimos foi bem diferente, com uma sucessão de guerras localizadas, assassinatos discriminatórios em massa motivados por raça, religião, disputas fratricidas e, para coroar a desgraça humana, o surgimento do nefasto terrorismo com toda sua perversidade.

O mundo assiste a proliferação de grupos terroristas, movidos principalmente pelo radicalismo religioso, remetendo a algo muito semelhante ao que foi provocado pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial.  Os nazistas foram cometendo as suas atrocidades, as grandes potências e seus líderes agindo com parcimônia ou sendo coniventes, a sociedade civil não atingida diretamente pela barbárie se comportando com extrema apatia e o resultado foi a terrível catástrofe mundial somente contida na hora em que os países aliados decidiram realmente atacar e derrotar a besta nazista.

Agora vemos os grupos terroristas cometendo também as suas atrocidades, apoiados e financiados por monarquias absolutistas e republicas teocráticas, a sociedade civil mais uma vez assiste com apatia, já são centenas de milhares de vidas humanas perdidas e uma enorme quantidade de refugiados em situação lastimável.

O ISIS ou Estado Islâmico, por exemplo, tem demonstrado ao mundo civilizado que o terrorismo motivado pelo radicalismo religioso não tem limites nem fronteiras. Quais são os seus inimigos? Todas as nações e seres humanos que praticam a democracia, a liberdade e não vivem conforme os ensinamentos de  Alá, ou seja, aqueles chamados de infiéis e portanto devem se converter. Querem criar o grande Califado no mundo atual, conquistando esse objetivo através da guerra territorial, da guerra assimétrica do terrorismo e da exterminação de todos que não desejam rezar pela sua cartilha religiosa.

Em paralelo, assistimos a um dos maiores incentivadores do terrorismo mundial – a República Islâmica do Irã – desenvolver as suas armas nucleares enquanto encena um teatro de negociação com o mundo ocidental.  Faz lembrar Hitler negociando com Chamberlain, durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto arquitetava, na Alemanha, a conquista da Europa e milhões de pessoas eram assassinadas nos campos de concentração nazistas. O perigo que um Irã nuclear representa para o mundo é enorme pois significa o risco em seguida de grupos terroristas com poder nuclear. É mera ilusão considerar que manterão o acordo tão logo recuperem sua plena capacidade econômica com o fim dos embargos da comunidade internacional. Estão apenas retardando por algum tempo o seu projeto nuclear. Os objetivos terroristas dos Aiatolás também são por demais conhecidos.

O grave erro em 1925, quando não se levou a sério o que era falado e estava escrito no execrável livro de Hitler, não deve ser repetido agora. É necessário levar a sério o que falam e escrevem os terroristas. As nações democráticas precisam agir com urgência, inteligência e eficácia contra este horror que não permite a vida com liberdade e direitos humanos. 

O dia 27 de Janeiro foi instituído pela Assembléia Geral das Nações Unidas como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Essa decisão foi baseada na importância de divulgar e a Humanidade refletir sobre a maior catástrofe da história mundial, de modo a  contribuir para a construção de um presente e futuro melhores e com mais dignidade.

Tomara que esta reflexão mundial ajude a provocar a atitude urgente de implementação das ações necessárias para se deter definitivamente a eclosão perigosíssima do terrorismo em nossos dias.

 

Por Marcos Brafman


Engenheiro, ex-presidente e membro Conselho Consultivo
da Federação Israelita de Minas Gerais

 

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